Exercício físico ajuda a prevenir depressão, afirma estudo

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Considerado o “mal do século” pela Organização Mundial da Saúde, a depressão é um transtorno psiquiátrico que vem atingindo cada vez mais pessoas ao decorrer dos anos. Ela ainda é um desafio para médicos e pacientes. Por isso, é indispensável atuar na prevenção. Os exercícios físicos, por exemplo, são elementos importantes dessa luta. E isso é comprovado cientificamente!

Uma pesquisa realizada pela UFRGS, Universidade La Salle, UERJ, UFRJ e outras sete universidades estrangeiras analisou dados de 49 estudos que avaliaram a relação entre a prática de exercício físico e a incidência de depressão. O estudo foi publicado na revista The American Journal of Psychiatry.

Essa meta-análise, basicamente, pegou todos os dados de pesquisas que já foram publicadas e fizeram uma análise estatística. É uma espécie de estudo de revisão com o objetivo principal de ver o quanto os participantes, que não tinham depressão e possuíam um nível alto de atividade física, diminuíram a possibilidade de desenvolver um dos transtornos psiquiátricos mais frequentes.

Felipe Schuch, professor da UniLaSalle, falou sobre os resultados incomuns dessas pesquisas e da motivação principal para realizar o estudo:

“Vários estudos tinham o mesmo objetivo e avaliaram os mesmos pontos, mas têm resultados diferentes. Cria aquela dúvida: qual dos resultados é o mais próximo da realidade? Quando fazemos uma meta-análise, a gente tenta responder a essa pergunta, e foi essa a nossa motivação especial para fazer o estudo”, conta o professor.

Conclusão

Após analisar dados de mais de 265 mil pessoas de 20 países distintos, os pesquisadores concluíram o que muitos já acreditavam: a atividade física realmente está relacionada com a prevenção à depressão.

“Esse estudo especificamente se refere à prevenção, e não ao tratamento. Há bastante evidência na literatura de que, para pessoas que têm depressão, o exercício pode ajudar a aliviar sintomas, mas o nosso estudo é um marco dizendo que, quem não tem depressão hoje, tem um risco menor de desenvolver depressão no futuro, se fizer atividade física”, diz Felipe Schuch.

Mas por que previne?

A prática da atividade física acelera a regeneração neuronal e esse é um dos motivos que levam os cientistas a acreditar na relação da prevenção do transtorno depressivo com os exercícios.

“Em pessoas com depressão, isso é diminuído. Elas perdem mais neurônios do que conseguem regenerar. Nós acreditamos que a aceleração da regeneração, por meio do exercício, pode prevenir ou diminuir o risco do desenvolvimento de depressão”, afirma Schuch.

Ainda de acordo com o professor, os cientistas não conseguiram chegar a uma definição exata quanto ao nível de atividade física necessário para garantir a prevenção. Isso porque o “nível alto de atividade física”, citado pelos pesquisadores, varia muito entre um estudo e outro.

Sabemos que fazer mais é melhor do que fazer menos; todos os estudos que compararam o ‘fazer mais’ e o ‘fazer menos’ chegaram a essa conclusão. Porém, não sabemos o quanto é esse mais e o quanto é esse menos”, explica Schuch.

Seis dos 49 trabalhos analisados indicam que 150 minutos de exercício moderado por semana reduz 32% de chance de ter depressão. Esse tempo também é o período recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Fontes:

– SCHUCH, Felipe B. et al. Physical activity and incident depression: a meta-analysis of prospective cohort studies. American Journal of Psychiatry, 25 abr. 2018.

www.ufrgs.br

– ajp.psychiatryonline.org

Foto: Shutterstock

Last modified: 31 de outubro de 2018

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